Sono e aprendizagem

imageComo exatamente o sono nos ajudar a lembrar o que aprendemos? Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Nova York mostrou como o sono, após uma aprendizagem, consolida o crescimento das espinhas dendríticas, que ajudam uma célula do cérebro a conectar a outra, facilitando assim a passagem de informação através das sinapses e desta forma, preservar a memória. Também demonstraram que o sono ajuda os neurônios a formarem conexões muito específicas nos ramos dentríticos que podem facilitar a memória de longo prazo. “Nós também mostramos como diferentes tipos de aprendizagem formam sinapses em diferentes ramos dos mesmos neurônios, sugerindo que a aprendizagem provoca mudanças estruturais muito específicas no cérebro.” disse Wen Biao-Gan, investigador sênior do estudo e professor de neurociência e fisiologia, Skirball Institute of Biomolecular Medicina da NYU Langone Medical Center. Além disso, eles descobriram que tarefas individuais levaram as espinhas a crescerem em ramificações específicas dos dendritos. Andando numa corda bamba, por exemplo, produziu um crescimento da espinha dendrítica em um ramo dendrítico diferente do que andar para trás na corda, o que reforça a ideia comum de que a aprendizagem de tarefas específicas provoca mudanças estruturais específicas no cérebro. “Agora sabemos que quando se aprende alguma coisa nova, um neurônio irá crescer em um ramo específico.” disse Gan.

Privação do sono

Os pesquisadores criaram um experimento para investigar como o sono pode influenciar ou afetar esse crescimento celular tangível nos neurônios. Um grupo de ratos foi treinado durante 1 hora na corda bamba e depois os deixaram dormir durante sete horas. Ao mesmo tempo um segundo grupo treinou nas mesmas condições do primeiro grupo, com exceção de que neste grupo os ratos ficaram acordados durante sete horas depois de sua sessão de aprendizagem.

Como se pode imaginar, os cientistas descobriram que os ratos privados de sono experimentaram significativamente menos formação de espinhas dendríticas do que os ratos bem descansados. Explorando mais, os cientistas mostraram que as células do cérebro ativadas no córtex motor sempre que os ratos aprendiam uma nova tarefa, reativava durante um período de sono específico – as ondas lentas do sono profundo – e isto permitiu aos ratos conservarem as espinhas dendríticas recém-formadas. Quando os pesquisadores interromperam as ondas lentas do sono profundo, foi impedida a consolidação da espinha dendrítica e assim, as memórias.

Fonte: Yang G, Lai CSW, Cichon J, et al. Sleep promotes branch-specific formation of dendritic spines after learning. Science. 2014.

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A saúde na medicina integrativa

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Saúde é quando não apenas os órgãos físicos funcionam adequadamente, como todos os nossos outros corpos funcionam adequadamente. Em termos específicos, a própria saúde física não é apenas definida pelo funcionamento adequado dos órgãos físicos, como também pelo funcionamento adequado dos campos morfogenéticos correlacionados e do corpo mental correlacionado que fornece significado às experiências físicas e vitais, todos em sincronia.

É necessário compreender que a doença ocorre não só em virtude de fatores genéticos (defeitos genéticos) e ambientais (mudanças climáticas, bactérias e vírus), como de experiências internas e do ambiente interno, criado pela memória dessas experiências. A memória de experiências passadas também cria padrões de condicionamento (Mitchell e Goswami, 1992) pelos quais tendemos a perder a liberdade de escolher possibilidades saudáveis. Desse modo, a doença pode ocorrer no nível do corpo vital (doenças do corpo vital), no nível da mente (doenças do corpo mental) e até no nível dos corpos supramental e sublime.

 Consequentemente, há cinco níveis de doença correspondendo aos cinco corpos na consciência. A doença num nível superior infiltra-se pelos níveis inferiores. Desse modo, um significado mental errôneo pode causar bloqueios na energia vital que, por sua vez, podem afetar o funcionamento do corpo físico. Portanto, faz sentido dizer que a verdadeira cura de uma doença precisa envolver o nível no qual a doença se iniciou. Ou seja, há cinco níveis de cura correspondentes a cada um dos cinco níveis de doença.

O ativista quântico reconhece, desde o princípio, que a medicina integrativa baseada na física quântica é fundamentalmente otimista. Se o mundo consiste em possibilidades e não em eventos determinados, então é possível escolher a saúde e não a doença. Nem a doença, nem a cura, precisam ser totalmente objetivas. As experiências subjetivas e nossas atitudes diante delas têm seu papel. Usando a criatividade, o ativista quântico aprende a mudar a atitude que leva da doença à saúde e da saúde normal à saúde positiva.

 Uma falha da biologia materialista e da medicina alopática é que ambas são incapazes de incorporar adequadamente um aspecto importante dos organismos biológicos: a heterogeneidade. Na biologia convencional, baseada no determinismo genético, todas as diferenças individuais são de origem genética. Na medicina do corpo vital e do corpo mental, as diferenças individuais também surgem das diferenças na individualização do corpo vital.

 Mencionei antes que nossos órgãos físicos são representações de anteprojetos do campo morfogenético vital das funções biológicas. A forma como usamos os campos morfogenéticos em nosso período de formação e desenvolvimento fornece-nos os tipos de corpo.

 Na Medicina Chinesa Tradicional, reconhecem-se dois tipos de corpo. O tipo yin ocorre quando o condicionamento é o princípio operacional para o uso dos campos morfogenéticos. O tipo yang ocorre quando os campos morfogenéticos são usados criativamente para atender aos desafios das mudanças ambientais durante o desenvolvimento.

 Na Ayurveda, distinguem-se dois tipos de criatividade: a situacional, na qual a criatividade é usada apenas como combinação e permuta de contextos arquetípicos já conhecidos; e a fundamental, na qual a criatividade é usada com um salto quântico descontínuo para explorar significados de maneira totalmente nova, num novo contexto arquetípico.

A Ayurveda reconhece um tipo tríplice de corpo chamado doshas. O primeiro deles é kapha, que corresponde ao modo do condicionamento; o segundo, vata, corresponde à criatividade situacional; finalmente, o terceiro, pitta, corresponde à criatividade fundamental. Essa tipologia também caracteriza como o significado mental é mapeado no cérebro durante nossa época de formação; noutras palavras, temos doshas tríplices cérebro-mentais (Goswami, 2004). O excesso de condicionamento resulta no dosha cerebral da lentidão mental. O excesso de criatividade situacional resulta no dosha cerebral da hiperatividade (como no Transtorno do Déficit de Atenção). Finalmente, o excesso de criatividade fundamental leva ao dosha cerebral do intelectualismo.

Na verdade, geralmente temos uma mescla de todos os doshas físico-vitais e cérebro-mentais. A mescla de determinada pessoa é chamada na Ayurveda de “prokriti” dessa pessoa – sua natureza ayurvédica.

 A manutenção da saúde  começa pelo conhecimento do tipo de prokriti de seu corpo. Isso pode exigir a ajuda de médicos especializados. Os detalhes sobre o uso desse conhecimento para manutenção da saúde podem ser encontrados em livros sobre Ayurveda e Medicina Chinesa Tradicional e em Goswami, 2004.

(Amit Goswami)