Percebendo a realidade: escolha o lado bom da vida

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Fernando Pessoa, em O Livro do Desassossego, diz que “a vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos”. 

O filósofo grego Epiteto disse, há mais de 2.000 anos, que “as pessoas ficam perturbadas, não pelas coisas que acontecem com elas, mas pelos princípios e opiniões que elas formam sobre aquelas coisas. Quando estamos inviabilizados, perturbados ou tristes, não devemos responsabilizar os outros, mas a nós mesmos; isto é, aos nossos próprios princípios e opiniões”.

A ciência comportamental moderna concorda! O psicólogo americano Albert Ellis, famoso por desenvolver a terapia de comportamento racional emotiva, explicou que o modo “como” as pessoas reagem aos eventos é determinado em grande parte pela sua visão dos acontecimentos e não pelos próprios acontecimentos.

Mude sua percepção, crença ou opinião sobre os fatos. Podemos escolher o lado bom da vida. Podemos focar nossa atenção nas qualidades, nas possibilidades, na esperança, no amor.

É possível perceber, a todo momento, o lado bom das coisas e das pessoas, porque sempre tem. Boas crenças e bons sentimentos, geram mudanças de atitudes, que afetam profundamente nossa saúde e bem estar físico, mental e social.

A busca pelo autoconhecimento, pelo desenvolvimento e evolução pessoal é fundamental na construção de uma visão positiva da vida. Afinal, nós costumamos enxergar o mundo não como ele é, mas sim como nós somos.

(Luciane Ferreira)

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Pense com o coração: o poder criativo do sentimento

imageSêneca, filósofo, poeta e advogado do Império Romano, dedicou-se a observar as questões existenciais que buscavam a consolação diante da dor. É dele a célebre frase “É parte da cura o desejo de ser curado”. Desde a antiguidade é conhecido o poder do pensamento sobre a realidade humana.

Então, o que nos limita? O que faz com que alguns alcancem uma vida plena, enquanto outros permanecem à margem do que poderiam ser? Diferenças sociais, financeiras, culturais? Imposição genética? A ciência tem conseguido provar que o que nos diferencia, de fato, são nossas crenças, como pensava Sêneca.

Nosso corpo tem a capacidade de reparar qualquer parte para a qual nossa atenção esteja focada. No entanto, fomos programados com a crença de que somos vítimas da hereditariedade. De fato, não podemos mudar nosso DNA, mas podemos alterar sua “leitura”, através do ambiente em que vivemos e da nossa percepção sobre ele.

Os genes apresentam padrões e é possível criar mais de trinta mil variações, a partir de um único gene. Este é o campo de estudos da Epigenética, ciência que estuda o papel do ambiente,  no controle sobre nossa fisiologia e nossos genes.

É amplamente estudado e conhecido o Efeito Placebo. No mínimo um terço de toda a cura medicinal é conquistada através do que a mente do paciente determina. No outro extremo, o Efeito Nocebo mostra que uma crença negativa pode fazer com que adoeçamos, tanto quanto uma crença positiva pode nos curar. A função da mente é criar coerência entre o que acreditamos e a realidade vivenciada.

Todo esse raciocínio remete-nos, claramente, ao pensamento de Henry Ford, “Quer você acredite que pode, ou que não pode, você está certo de qualquer maneira”. Por que então, na maioria das vezes, pensar positivo, simplesmente não funciona?  Porque não basta pensar, nem mesmo querer. É preciso sentir!

O campo vibratório do coração é cerca de 5.000 (cinco mil!) vezes maior que o do cérebro. Descobertas recentes da Neurociência mostram que existe uma via de mão dupla cérebro/coração – coração/cérebro. Sentimento e pensamento comunicam-se. Isso acontece através de neurônios, presentes no sistema de condução elétrica cardíaco. Trata-se de um “pequeno cérebro” dentro do coração!

Resumidamente, o coração (sentimentos), comunica-se com o cérebro (pensamentos), que determinará nossas crenças e nossa percepção da realidade. Aquilo em que acreditamos, construirá o que seremos, seja através de nossas atitudes, seja pela mudança fisiológica da nossa expressão gênica.

Quando nossos sentimentos estão coerentes com nossos pensamentos, nossas crenças tornam-se o foco de nossa atenção e ação. Criamos, assim, nosso estado de saúde e nossa realidade como um todo.

Como é possível, então, adquirir um estado de Coerência Cardíaca, onde exista equilíbrio entre sentimento (coração) e pensamento (cérebro/crenças)?

A meditação é uma poderosa ferramenta neste processo. Ela possibilita um aquietamento da mente, propiciando a lentificação das ondas cerebrais, enquanto acalma os batimentos cardíacos, estabelecendo um estado coerente entre cérebro e coração. O controle ativo de nossa respiração facilita esse processo.

Quando adquirimos um estado de harmonia entre o que pensamos e sentimos, quando as ondas cerebrais se acalmam e os batimentos cardíacos também, mantendo um estado normal de variabilidade, podemos afirmar que atingimos um estado de Coerência Cardíaca. 

Nosso coração é mais do que uma estação de bombeamento do corpo. É, verdadeiramente, um orgão de inteligência! Ele apresenta uma rede neural,  de mesma natureza daquela que compõe o sistema cerebral.

Este orgão tão nobre é a fonte de maior força eletromagnética do nosso corpo. A leitura do espectro de frequência do coração pode ser mensurada a partir de três metros de distância do corpo, o que mostra que seus sinais eletromagnéticos são muito mais fortes do que as ondas cerebrais.

Guie-se pelos seus sentimentos! Mas conheça os pensamentos que dão significado a eles. Viva, pense, sinta e aja corretamente, para que exista equilíbrio entre razão e emoção.

Temos a teoria que sustenta a prática. Vamos abandonar nossos condicionamentos enfraquecedores e escolher sermos saudáveis! A vontade, a motivação e a intenção, quando realizados em um estado de Coerência Cardíaca, tornam-se poderosas ferramentas de ação, na construção de uma vida plena.

Escute seu coração! Neste orgão incrível, onde muitas vezes construímos muros ao redor, podemos encontrar força e fé, permitindo que a nossa maior inteligência, a emocional, guie nossas vidas.

(Luciane Ferreira)