Intestino: o “segundo cérebro”

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Você sabia que, para alguns fisiologistas, o centro regulador do nosso corpo não é o cérebro? Para você seria blasfêmia se eu dissesse que o centro de comando do nosso corpo está localizado no abdômen?

Esse órgão é tão importante que chega a ser chamado de segundo cérebro. Sabe de quem estou falando? Isso mesmo, a majestade… o Senhor Intestino!!!

O sistema gastrointestinal é o mais suscetível às emoções. Sabe aquele frio na barriga ao encarar o desconhecido? E as borboletas no estômago quando você se depara com a sua paixão? Sustos lhe dão enjoo? Essas sensações existem por um motivo, a enorme quantidade de transmissores presente no intestino estabelece uma ligação direta com o cérebro. Isso explica porque uma crise de nervosismo pode segurá-lo no banheiro.

O intestino desempenha um papel importantíssimo em nossa saúde. Seu controle vai além dos limites gastrointestinais, atingindo não só a saúde física como também a mental. A relação do intestino com o desempenho cerebral e imunológico é direta, podendo desencadear doenças metabólicas (alergias, obesidade e diabetes) e neurológicas (como a esclerose múltipla e o mal de Parkinson).

O intestino possui cerca de 100 milhões de neurônios! Além disso, neurotransmissores e hormônios associados ao encéfalo são produzidos no intestino. 98% da serotonina (corresponsável pela memória e pelo humor) vem do intestino.

Se suas funções intestinais não vão bem, você logo sente o impacto no bem-estar físico, mental e emocional. A recíproca também é verdadeira: quando o balanço químico cerebral está desregulado, as vísceras sofrem a consequência.

Na prática, a relação comprova que problemas intestinais podem ser causados por ansiedade, estresse ou depressão. 50% dos distúrbios intestinais têm causa emocional. No caso dos portadores da Síndrome do Intestino Irritável, 90% apresentam problemas emocionais.

Uma pesquisa da Universidade de Boston, mostrou que os portadores da Síndrome do Intestino Irritável tinham 40% mais chances de manifestar depressão e, quando medicadas para tratar a enfermidade física, constataram melhora no estado mental.

O intestino contém mais de 70% das células de defesa do corpo, 500 espécies de bactérias e 100 trilhões de micro-organismos. Esse exército compõe a chamada microbiota intestinal (conhecida como flora intestinal), que auxilia no desenvolvimento de tecidos, na extração de nutrientes dos alimentos e na produção de células de defesa. No entanto, ela não evoluiu a ponto de resistir aos maus hábitos à mesa. Alimentos processados podem alterar a microbiota, abrindo espaço para bactérias nocivas se instalarem e causarem estrago.

Antibióticos, estresse e álcool também matam as bactérias do bem. Prevenir o estrago não é tarefa do outro mundo. Troque a “fast food” por fibras (elas alimentam as bactérias benéficas ao organismo), converse com seu nutricionista sobre alimentos probióticos, pratique exercícios (que fazem o intestino trabalhar de forma mais eficiente) e invista em atividades que reduzem o estresse e promovem equilíbrio.

A ciência comprova o que você instintivamente já sabia: é preciso estar com a cabeça no lugar para preservar suas vísceras.

(Fonte: Endócrino News)

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