A comunicação cérebro-cérebro

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Pesquisas comprovam que a comunicação direta entre cérebros humanos é possível. Duas pessoas podem se comunicar, repassando seus pensamentos uma para outra, através de grandes distâncias físicas, como mostram os mais recentes estudos da neurociência.

O pesquisador e professor da Escola de Medicina de Harvard (EUA), Alvaro Pascual-Leone, junto com Giulio Ruffini e Carles Grau, realizaram um experimento onde, sem utilizar a fala nem a escrita, estabeleceu-se a comunicação de cérebro para cérebro entre sujeitos localizados a cerca de 8.000 Km de distância um do outro.

Os cientistas lideraram uma equipe de pesquisadores da Starlab Barcelona, na Espanha; enquanto Michel Berg  liderou a equipe da Axilium Robotics em Estrasburgo, na França. Em um equivalente neurocientífico de mensagens instantâneas, conseguiram transmitir com sucesso as palavras “hola” e “ciao”, de um local da Índia para um local na França.

A transmissão foi mediada por um computador, usando-se um eletroencefalograma (EEG) ligado a internet e estimulação magnética transcraniana (EMTc), assistida roboticamente e guiada por imagem.

Já eram conhecidos estudos baseados na interação cérebro-máquina, através das pesquisas de Miguel Nicolelis e John Chaplin. Eles construíram o que chamaram de interface cérebro-máquina, demonstrando que animais ou humanos poderiam mover dispositivos, não importando a distância que estes estivessem de seus corpos, apenas imaginando o que desejavam fazer. O resultado foi demonstrado por Juliano Pinto que, estando paraplégico, entregou o ponta pé inicial na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, usando um exoesqueleto.

Os estudos avançam e pesquisadores da Universidade de Washington estão explorando o que chamam de “tutoria cerebral”, ou seja, a possibilidade de uma pessoa saudável transferir sinais diretamente de seu cérebro para pessoas deficientes ou impactadas por fatores externos, como um AVC (acidente vascular cerebral).

 Os cientistas trabalham também na transmissão de estados cerebrais, como o envio de sinais de um aluno focado para outro com déficit de atenção e hiperatividade (TDA/H), bem como na possibilidade de um professor transferir conhecimento para um aluno por esse mecanismo cérebro-cérebro.

 O assunto é fascinante e as possibilidades são infinitas. A conexão mental e energética  é um fenômeno real, que finalmente a ciência vem conseguindo comprovar. O cérebro humano,  como disse certa vez Nicolelis, é um universo incrível que temos entre nossas orelhas, só  comparável ao Universo que temos sobre a nossa cabeça.

(Luciane Ferreira)

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Pense com o coração: o poder criativo do sentimento

imageSêneca, filósofo, poeta e advogado do Império Romano, dedicou-se a observar as questões existenciais que buscavam a consolação diante da dor. É dele a célebre frase “É parte da cura o desejo de ser curado”. Desde a antiguidade é conhecido o poder do pensamento sobre a realidade humana.

Então, o que nos limita? O que faz com que alguns alcancem uma vida plena, enquanto outros permanecem à margem do que poderiam ser? Diferenças sociais, financeiras, culturais? Imposição genética? A ciência tem conseguido provar que o que nos diferencia, de fato, são nossas crenças, como pensava Sêneca.

Nosso corpo tem a capacidade de reparar qualquer parte para a qual nossa atenção esteja focada. No entanto, fomos programados com a crença de que somos vítimas da hereditariedade. De fato, não podemos mudar nosso DNA, mas podemos alterar sua “leitura”, através do ambiente em que vivemos e da nossa percepção sobre ele.

Os genes apresentam padrões e é possível criar mais de trinta mil variações, a partir de um único gene. Este é o campo de estudos da Epigenética, ciência que estuda o papel do ambiente,  no controle sobre nossa fisiologia e nossos genes.

É amplamente estudado e conhecido o Efeito Placebo. No mínimo um terço de toda a cura medicinal é conquistada através do que a mente do paciente determina. No outro extremo, o Efeito Nocebo mostra que uma crença negativa pode fazer com que adoeçamos, tanto quanto uma crença positiva pode nos curar. A função da mente é criar coerência entre o que acreditamos e a realidade vivenciada.

Todo esse raciocínio remete-nos, claramente, ao pensamento de Henry Ford, “Quer você acredite que pode, ou que não pode, você está certo de qualquer maneira”. Por que então, na maioria das vezes, pensar positivo, simplesmente não funciona?  Porque não basta pensar, nem mesmo querer. É preciso sentir!

O campo vibratório do coração é cerca de 5.000 (cinco mil!) vezes maior que o do cérebro. Descobertas recentes da Neurociência mostram que existe uma via de mão dupla cérebro/coração – coração/cérebro. Sentimento e pensamento comunicam-se. Isso acontece através de neurônios, presentes no sistema de condução elétrica cardíaco. Trata-se de um “pequeno cérebro” dentro do coração!

Resumidamente, o coração (sentimentos), comunica-se com o cérebro (pensamentos), que determinará nossas crenças e nossa percepção da realidade. Aquilo em que acreditamos, construirá o que seremos, seja através de nossas atitudes, seja pela mudança fisiológica da nossa expressão gênica.

Quando nossos sentimentos estão coerentes com nossos pensamentos, nossas crenças tornam-se o foco de nossa atenção e ação. Criamos, assim, nosso estado de saúde e nossa realidade como um todo.

Como é possível, então, adquirir um estado de Coerência Cardíaca, onde exista equilíbrio entre sentimento (coração) e pensamento (cérebro/crenças)?

A meditação é uma poderosa ferramenta neste processo. Ela possibilita um aquietamento da mente, propiciando a lentificação das ondas cerebrais, enquanto acalma os batimentos cardíacos, estabelecendo um estado coerente entre cérebro e coração. O controle ativo de nossa respiração facilita esse processo.

Quando adquirimos um estado de harmonia entre o que pensamos e sentimos, quando as ondas cerebrais se acalmam e os batimentos cardíacos também, mantendo um estado normal de variabilidade, podemos afirmar que atingimos um estado de Coerência Cardíaca. 

Nosso coração é mais do que uma estação de bombeamento do corpo. É, verdadeiramente, um orgão de inteligência! Ele apresenta uma rede neural,  de mesma natureza daquela que compõe o sistema cerebral.

Este orgão tão nobre é a fonte de maior força eletromagnética do nosso corpo. A leitura do espectro de frequência do coração pode ser mensurada a partir de três metros de distância do corpo, o que mostra que seus sinais eletromagnéticos são muito mais fortes do que as ondas cerebrais.

Guie-se pelos seus sentimentos! Mas conheça os pensamentos que dão significado a eles. Viva, pense, sinta e aja corretamente, para que exista equilíbrio entre razão e emoção.

Temos a teoria que sustenta a prática. Vamos abandonar nossos condicionamentos enfraquecedores e escolher sermos saudáveis! A vontade, a motivação e a intenção, quando realizados em um estado de Coerência Cardíaca, tornam-se poderosas ferramentas de ação, na construção de uma vida plena.

Escute seu coração! Neste orgão incrível, onde muitas vezes construímos muros ao redor, podemos encontrar força e fé, permitindo que a nossa maior inteligência, a emocional, guie nossas vidas.

(Luciane Ferreira)

Redes neurais e as moléculas da emoção

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Uma da coisas notáveis sobre o cérebro humano é que podemos funcionar a altos níveis de complexidade, reagir simultaneamente a numerosos estímulos em nosso meio e tomar decisões apressadas sobre o significado das coisas e o que se deve fazer com elas.

Não temos que tomar uma nova decisão em cada circunstância, porque, pela experiência repetida, fazemos associações. Em outras palavras, aprendemos com nossas experiências e o que aprendemos dá cor à nossa reação a novas situações.

A base neural para este tipo de aprendizado pode ser compreendida em termos de processo chamado de “potenciação a longo prazo”.

Isso significa que as ligações entre as células nervosas são reforçadas quando repetidamente estimuladas. Pois, se uma campainha tocar a cada hora em que se servir a comida, aprender-se-á a salivar a cada hora em que se ouvir a campainha, mesmo que não haja comida. Um caminho neuronal que liga a campainha à comida estabelece-se e reforça-se pela repetição. Isso é condicionamento clássico. Mas há muitas outras formas de aprendizagem associativa.

Os problemas se desenrolam quando este diferente sistema de adaptação e benefício é sequestrado pelas respostas negativas a diferentes estímulos inócuos. Parece que nossos cérebros podem ser programados não só pela experiência repetida (é assim que aprendemos), mas também por circunstâncias extremas.

Por exemplo, uma única dose de cocaína pode preparar um organismo a reagir com muita ânsia quando se apresenta a cocaína em outra ocasião. O cérebro muda e a aprendizagem associativa pode também resultar de experiências traumáticas.

A tecnologia imaginativa possibilita observar-se o cérebro em atividade, revelando como realmente o trauma altera a estrutura e as funções do cérebro. Uma significativa descoberta é que o escaneamento cerebral de pessoas com problemas sociais, de relacionamento e aprendizagem revelariam irregularidades estruturais e funcionais semelhantes às resultantes de desordens de estresse pós-traumático (DEPT).

A teoria do apego, inicialmente concebida por John Bowlby, sugere que as crianças, através de suas interações com suas primeiras babás, desenvolvem “modelos operacionais internos” que dão colorido às suas expectativas de relacionamentos e à sua visão geral do mundo pelo resto de suas vidas.

As primeiras vivências com as babás levam as criancinhas a desenvolver representações mentais de sensibilidade e da responsabilidade das babás, bem como o grau em que as crianças se sentem merecedoras de cuidados. Com o tempo, esses modelos tornam-se filtros interpretativos através dos quais as crianças reconstroem novas experiências e relações de maneiras coerentes com experiências e expectativas passadas.

Essas experiências e expectativas passadas podem criar regras implícitas e internalizadas de relacionamento com os outros. A teoria prevê que as crianças com histórias de apego, seguras e inseguras, responderão aos outros baseadas em expectativas de calor humano e intimidade. Tais expectativas podem fazer com que elas evoquem os tipos de respostas dos outros que se conformem com suas expectativas iniciais.

Infelizmente, se estivermos preparados para a rejeição e nos defendemos bem contra ela, parece mais provável que ela vá ocorrer. Outra maneira de se dizer isso é que quem procura acha.

Em que situações emocionais você se depara várias e repetidas vezes?

O que você espera que aconteça nos seu relacionamento com amigos, namorados (as), parentes e colegas?

Quanto da sua experiência você imagina que seja condicionado pelo passado?

Que diferença teria a sua vida se você se libertasse desse condicionamento?

– MOLÉCULAS DE EMOÇÃO:

Mas para nossa resposta emocional há mais do que apenas circuitos elétricos. Segundo a neurobióloga Candace Pert, toda emoção que sentimos circula por nossos corpos como substâncias químicas chamadas “neuropeptídeos”, cadeias curtas de aminoácidos ou proteínas que falam com todas as células de nosso corpo.

A pesquisa de Pert sugere que essas moléculas de emoção desempenham importante papel em orientar o que vivenciamos como percepção e escolha consciente. De acordo com Pert, “nossas emoções decidem ao que vale a pena prestarmos atenção.

A decisão sobre o que se torna um pensamento, que surge na consciência; e o que permanece como um padrão de pensamento indigesto e enterrado, num nível mais profundo do corpo, é medido pelos receptores [de nossa rede de informações corporal e bioquímica].

Por que continuamos entrando nos mesmos tipos de relacionamentos, tendo os mesmos tipos de argumentos, encontrando os mesmos tipos de chefes? De acordo com Pert, quando receptores locais são repetidas vezes bombardeados de peptídeos, tornam-se menos sensíveis e exigem mais peptídeos para serem estimulados. Os receptores realmente começam a desejar ansiosamente os neuropeptídeos que eles tem a função de receber. Nesse sentido, nossos corpos são viciados em estados emocionais.

Quando já repetimos experiências que geram a mesma resposta emocional, nossos corpos desenvolvem um apetite por esses tipos de experiências. Como viciados, atraímos para nós as experiências que nos colocam numa situação difícil.

Como você se sente ao considerar o ciúme, o amor ou o êxtase como substância química?

Como se sente ao pensar em suas emoções como vícios?

Quias são os benefícios de pensar assim da emoções?

Será que se perde alguma coisa com essa maneira de pensar?

(Fonte: Estar em si)