Sobre fins e recomeços: encarando com serenidade o fluxo da vida

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Há certos momentos na vida que por si mesmos são verdadeiros marcadores que sinalizam o fechamento de um ciclo, quer aceitemos ou não.

Precisamos desenvolver nossa “escuta interior” e através da nossa capacidade de compreensão, termos lucidez e sensibilidade para aceitarmos que algo já se deteriorou. A partir dessa percepção, é possível nos reposicionarmos e nos readaptarmos para darmos boas vindas ao “novo”, com suas infinitas possibilidades.

Quando a vida nos sinaliza que um ciclo está se fechando, aceite o fato e aproveite para renovar suas esperanças, oportunizando-se a gestar novos propósitos e projetos de vida.

Uma readaptação nem sempre é um processo fácil, visto que dispensemos muita energia emocional na reorganização do “caos” interno. Por outro lado, esse é também um momento rico para iniciarmos o precioso movimento de auto avaliação e para revalidar o lugar que ocupamos ou que desejamos ocupar no mundo.

Quando um ciclo se fecha, é porque necessitamos realizar algum aprendizado naquele contexto, para passarmos para a etapa seguinte. Os processos transitórios da vida não são exatamente efêmeros, mas são etapas potencialmente criativas.

Vida é fluxo, é movimento, é a negação da estagnaçao. Nada é definitivo, muito menos de nossa propriedade. Acreditamos que coisas e pessoas são nossas. Na vida não existem garantias, nem datas de validade.

Com o advento de uma nova fase, iniciam-se novas oportunidades. Em contato com contingências que proporcionam agora o florescer de uma nova consciência, nos será permitida uma maior lucidez dos fatos. Tudo isso nos oportunizará criar a realidade que tanto desejamos e que somos diretamente responsáveis.

Este movimento criativo nos permite reflexões verdadeiras e profundas que nos levam a dar novos significados a nossa existência, se abrirmos mão do que se foi e darmos as boas vindas as novas possibilidades.

Para que haja renovação verdadeira, de dentro para fora, é indispensável reavaliar a nossa percepção dos fatos, mas o principal de tudo para qualquer primeiro passo é nos aceitarmos como somos, momento este de “insights” para toda mudança verdadeira, pois a partir da auto aceitação, poderemos promover as mudanças que forem necessárias. Portanto, desnude-se interiormente, retire suas mascaras, se olhe de frente.

Às vezes precisamos mudar rotas e trajetórias provenientes das nossas reavaliações daquilo que já não nos serve mais. Mas nada foi perdido de todo: tornamo-nos mais vividos, mais capazes e aprimorados.

A nossa maior conquista é transmutar a própria vida em constante processo de evolução e recriação de nós mesmos, colocando em pratica os valores que precisamos alimentar, nos aprimorando em todas as perspectivas e principalmente aprendendo com os erros do passado.Somos seres itinerantes na trajetória da vida e estamos aqui para aprender, para evoluir.

Permanecer em um ciclo que já se fechou é altamente desgastante, além de se pagar um alto preço por isto. Estar aberto, disponível e receptivo para novas oportunidades e experiências é o que a vida nos propõe ao fim de cada etapa.

Que possamos olhar os problemas como desafios, a dor como meio de aprendizado, as mudanças como oportunidade de transformação. Todo processo pode ser fácil ou difícil, penoso ou desafiador, de possibilidades e aprimoramentos. Depende de como você percebe cada acontecimento. Escolha a renovação!

(Adaptado do Portal Raízes)

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Se eu fosse você me apaixonava

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Eu não sou uma pessoa intensa o tempo todo. Acho que isso não conta pontos a meu favor, não é mesmo?

Não sou de extremos, não simpatizo com frases prontas sobre tudo ou sobre nada. Não sei me jogar de cabeça na primeira oportunidade, no primeiro amor, no primeiro momento. A sensação que tenho é que costumo flutuar acima das emoções, mais observando do que sentindo. Acho que isso é o resultado de algo que busco todos os dias, há anos: serenidade.

Já vivi tantas coisas, que penso que foram  várias vidas em uma só. Só que nesse processo, navegando em mares revoltos, acabei me apaixonando.

Me apaixonei por uma menina pequena, loira com sardas, que toca piano e dança sozinha. Que ergue as mãos para o céu para absorver a energia das estrelas e a luz da lua. Que se ajoelha na frente do nada para pedir aos anjos proteção e a Deus consolo. Que ama pessoas que nem conhece, porque reconhece-se nelas, nas suas lutas, nas suas dores, nos seus sonhos. Se não sou amada como mereço, eu me apaixono por mim mesma.

Eu tenho compaixão por mim, muita. Eu me perdôo, eu me cuido, eu me aconselho, eu me apoio. Eu me dou descanso, paz, tranquilidade. Eu tenho um profundo respeito por mim e pela pessoa que sou. Eu amo em mim tudo aquilo que ninguém mais vê. E isso me preenche de amor, de quase todo o amor que preciso.

Eu recomendo fortemente que se apaixone por você mesmo. Depois disso, estará preparado para o próximo degrau, que é amar alguém. Penso que amar uma pessoa é a experiência mais enriquecedora na vida de um ser humano.

Independentemente do desfecho de uma história romântica, ninguém sai da vida de alguém da mesma forma que entrou. Ninguém permanece na vida de alguém sendo o mesmo que sempre foi. Isso é uma benção ou uma maldição, dependendo de quem você permite que entre na sua vida, no seu coração, no seu corpo.

Escolher com quem nos relacionamos é uma grande responsabilidade. Amor não se escolhe? Escolhe-se sim, sempre. Atraímos exatamente aquilo que somos e não o que queremos. É assim que funciona: nos sentimos atraídos por quem se parece conosco, seja no que temos de bom ou de ruim. Daí a necessidade vital de nos amarmos primeiro.

Não escrevo autoajuda amorosa, não teria competência alguma para fazê-lo. Só escrevo para que você que me lê saiba que eu te amo.

Te amo, quem quer que você seja, porque conheço suas dores, pode apostar. Sei que se supera a cada dia, sei que seu sorriso às vezes esconde tanta dor que você seria capaz de gritar, se pudesse. Sei que quer ser feliz e amado, como eu quero. Sei que pensa não existir ninguém no mundo que te entenda. Mas eu te entendo, te respeito e te amo, porque eu sei que todos somos um só.

Manter-se sereno e amoroso é possível. Se você nunca navegou em mares calmos quando o assunto é amor deveria experimentar, começando pelo amor próprio.

Há quem tenha um coração tão grande, que mesmo ferido pelas circunstâncias da vida, não deixa de amar e isso me comove. Quem tem um coração assim, nesse mundo corrompido é gente de coragem.

(Retiro agora o que eu disse antes. Sou sim,  intensa o tempo todo)

Luciane.

 

 

 

 

Sono e aprendizagem

imageComo exatamente o sono nos ajudar a lembrar o que aprendemos? Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Nova York mostrou como o sono, após uma aprendizagem, consolida o crescimento das espinhas dendríticas, que ajudam uma célula do cérebro a conectar a outra, facilitando assim a passagem de informação através das sinapses e desta forma, preservar a memória. Também demonstraram que o sono ajuda os neurônios a formarem conexões muito específicas nos ramos dentríticos que podem facilitar a memória de longo prazo. “Nós também mostramos como diferentes tipos de aprendizagem formam sinapses em diferentes ramos dos mesmos neurônios, sugerindo que a aprendizagem provoca mudanças estruturais muito específicas no cérebro.” disse Wen Biao-Gan, investigador sênior do estudo e professor de neurociência e fisiologia, Skirball Institute of Biomolecular Medicina da NYU Langone Medical Center. Além disso, eles descobriram que tarefas individuais levaram as espinhas a crescerem em ramificações específicas dos dendritos. Andando numa corda bamba, por exemplo, produziu um crescimento da espinha dendrítica em um ramo dendrítico diferente do que andar para trás na corda, o que reforça a ideia comum de que a aprendizagem de tarefas específicas provoca mudanças estruturais específicas no cérebro. “Agora sabemos que quando se aprende alguma coisa nova, um neurônio irá crescer em um ramo específico.” disse Gan.

Privação do sono

Os pesquisadores criaram um experimento para investigar como o sono pode influenciar ou afetar esse crescimento celular tangível nos neurônios. Um grupo de ratos foi treinado durante 1 hora na corda bamba e depois os deixaram dormir durante sete horas. Ao mesmo tempo um segundo grupo treinou nas mesmas condições do primeiro grupo, com exceção de que neste grupo os ratos ficaram acordados durante sete horas depois de sua sessão de aprendizagem.

Como se pode imaginar, os cientistas descobriram que os ratos privados de sono experimentaram significativamente menos formação de espinhas dendríticas do que os ratos bem descansados. Explorando mais, os cientistas mostraram que as células do cérebro ativadas no córtex motor sempre que os ratos aprendiam uma nova tarefa, reativava durante um período de sono específico – as ondas lentas do sono profundo – e isto permitiu aos ratos conservarem as espinhas dendríticas recém-formadas. Quando os pesquisadores interromperam as ondas lentas do sono profundo, foi impedida a consolidação da espinha dendrítica e assim, as memórias.

Fonte: Yang G, Lai CSW, Cichon J, et al. Sleep promotes branch-specific formation of dendritic spines after learning. Science. 2014.

A saúde na medicina integrativa

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Saúde é quando não apenas os órgãos físicos funcionam adequadamente, como todos os nossos outros corpos funcionam adequadamente. Em termos específicos, a própria saúde física não é apenas definida pelo funcionamento adequado dos órgãos físicos, como também pelo funcionamento adequado dos campos morfogenéticos correlacionados e do corpo mental correlacionado que fornece significado às experiências físicas e vitais, todos em sincronia.

É necessário compreender que a doença ocorre não só em virtude de fatores genéticos (defeitos genéticos) e ambientais (mudanças climáticas, bactérias e vírus), como de experiências internas e do ambiente interno, criado pela memória dessas experiências. A memória de experiências passadas também cria padrões de condicionamento (Mitchell e Goswami, 1992) pelos quais tendemos a perder a liberdade de escolher possibilidades saudáveis. Desse modo, a doença pode ocorrer no nível do corpo vital (doenças do corpo vital), no nível da mente (doenças do corpo mental) e até no nível dos corpos supramental e sublime.

 Consequentemente, há cinco níveis de doença correspondendo aos cinco corpos na consciência. A doença num nível superior infiltra-se pelos níveis inferiores. Desse modo, um significado mental errôneo pode causar bloqueios na energia vital que, por sua vez, podem afetar o funcionamento do corpo físico. Portanto, faz sentido dizer que a verdadeira cura de uma doença precisa envolver o nível no qual a doença se iniciou. Ou seja, há cinco níveis de cura correspondentes a cada um dos cinco níveis de doença.

O ativista quântico reconhece, desde o princípio, que a medicina integrativa baseada na física quântica é fundamentalmente otimista. Se o mundo consiste em possibilidades e não em eventos determinados, então é possível escolher a saúde e não a doença. Nem a doença, nem a cura, precisam ser totalmente objetivas. As experiências subjetivas e nossas atitudes diante delas têm seu papel. Usando a criatividade, o ativista quântico aprende a mudar a atitude que leva da doença à saúde e da saúde normal à saúde positiva.

 Uma falha da biologia materialista e da medicina alopática é que ambas são incapazes de incorporar adequadamente um aspecto importante dos organismos biológicos: a heterogeneidade. Na biologia convencional, baseada no determinismo genético, todas as diferenças individuais são de origem genética. Na medicina do corpo vital e do corpo mental, as diferenças individuais também surgem das diferenças na individualização do corpo vital.

 Mencionei antes que nossos órgãos físicos são representações de anteprojetos do campo morfogenético vital das funções biológicas. A forma como usamos os campos morfogenéticos em nosso período de formação e desenvolvimento fornece-nos os tipos de corpo.

 Na Medicina Chinesa Tradicional, reconhecem-se dois tipos de corpo. O tipo yin ocorre quando o condicionamento é o princípio operacional para o uso dos campos morfogenéticos. O tipo yang ocorre quando os campos morfogenéticos são usados criativamente para atender aos desafios das mudanças ambientais durante o desenvolvimento.

 Na Ayurveda, distinguem-se dois tipos de criatividade: a situacional, na qual a criatividade é usada apenas como combinação e permuta de contextos arquetípicos já conhecidos; e a fundamental, na qual a criatividade é usada com um salto quântico descontínuo para explorar significados de maneira totalmente nova, num novo contexto arquetípico.

A Ayurveda reconhece um tipo tríplice de corpo chamado doshas. O primeiro deles é kapha, que corresponde ao modo do condicionamento; o segundo, vata, corresponde à criatividade situacional; finalmente, o terceiro, pitta, corresponde à criatividade fundamental. Essa tipologia também caracteriza como o significado mental é mapeado no cérebro durante nossa época de formação; noutras palavras, temos doshas tríplices cérebro-mentais (Goswami, 2004). O excesso de condicionamento resulta no dosha cerebral da lentidão mental. O excesso de criatividade situacional resulta no dosha cerebral da hiperatividade (como no Transtorno do Déficit de Atenção). Finalmente, o excesso de criatividade fundamental leva ao dosha cerebral do intelectualismo.

Na verdade, geralmente temos uma mescla de todos os doshas físico-vitais e cérebro-mentais. A mescla de determinada pessoa é chamada na Ayurveda de “prokriti” dessa pessoa – sua natureza ayurvédica.

 A manutenção da saúde  começa pelo conhecimento do tipo de prokriti de seu corpo. Isso pode exigir a ajuda de médicos especializados. Os detalhes sobre o uso desse conhecimento para manutenção da saúde podem ser encontrados em livros sobre Ayurveda e Medicina Chinesa Tradicional e em Goswami, 2004.

(Amit Goswami)

Sobre depressão e cura

imageSentir-se triste, desanimado, esgotado, são experiências que vez ou outra todos já experimentamos. Mas imagine sentir-se assim todos os dias, por meses, anos. Imagine também não demonstrar isso, lutar sozinho, manter a cabeça erguida, o corpo forte, a mente em evolução.

Aconteceu comigo, que sempre me cuidei de maneira integral, pratico exercícios, meditação, sou espiritualizada, leio, viajo, estudo, sempre tive uma família maravilhosa, amor, amigos, trabalho. Mas não é sobre nada disso.

A depressão tem a ver com nosso “eu” mais profundo, tem a ver com coisas que não são aparentes, não são sequer reais algumas vezes. Pode ser por uma sobrecarga de sofrimentos simultâneos, pode ser por algum gatilho disparado no inconsciente, pode ser por não se adequar a um mundo materialista e superficial, onde nos sentimos um peixe fora d’água, diferente da maioria. Ou pode não ser nada disso.

Estou escrevendo porque gostaria de quebrar esse paradigma do depressivo. Eu sempre me mantive sorrindo, trabalhando, estudando, buscando a evolução do corpo, da mente e do espírito. Tomei antidepressivo e remédio para dormir, sim. Por pouco tempo, mas sim. Eu sempre tive o controle dos meus pensamentos e uma decisão sempre forte de buscar a recuperação dia após dia.

Eu imaginava que os remédios eram como muletas provisórias. Costumava pensar que era como quando quebramos uma perna. No início repouso absoluto, depois muletas, depois apoio parcial das pernas, depois apoio total, treino de marcha e finalmente a recuperação plena. E foi assim que aconteceu.

O que quero dizer é que sou forte, determinada, estudiosa, espiritualizada, esforçada, mas ainda assim tive um período de depressão. Nunca parei de trabalhar, nem de estudar, nem de cuidar de mim e das pessoas. Mesmo estando doente eu seguia em frente pensando que a cada dia eu subia 1 cm em direção à saída do fundo. Podia ser mesmo 1 cm por dia, mas eu nunca recuava, era sempre em frente.

Depressão não é frescura, nem coisa de gente fraca. Eu sou exemplo disso. Mas também preciso dizer, que se você por acaso tem esse problema que eu tive, você  pode se livrar disso. Tenha a coragem e a atitude para procurar ajuda e para se ajudar.

É sempre possível. Sempre pense que você tem sim controle sobre seus sentimentos. Às vezes não tem controle algum sobre a vida, sobre os fatos ou sobre as pessoas. Mas sempre tem escolha sobre como sentir-se em qualquer situação que se apresente a você. Existem caminhos, queira, busque e um caminho se abrirá para você também.

Acredito que esse mergulho profundo dentro de mim, nesse período de crise e cura, foi essencial para que eu desenvolvesse a empatia necessária para seguir minha missão, no auxílio aos meus pacientes.

Nada é mesmo por acaso. Eu sempre busquei, sempre procurei ser melhor, evoluir, crescer. E na dor e no sofrimento a gente cresce muito. Assim como na alegria e na paz  também! E é nessa outra fase que me encontro já há algum tempo. Nada mudou. Eu mudei.

Essa não é a realidade da depressão no geral, nem definição científica da doença. Não é regra. É apenas a minha experiência, dessa vez  não como profissional, mas como ser humano apenas. Mas eu espero que ajude alguém, que por acaso se identifique com a minha história.

Desejo paz e felicidade a quem busca. Todos somos um só.

Luciane.

 

Intestino: o “segundo cérebro”

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Você sabia que, para alguns fisiologistas, o centro regulador do nosso corpo não é o cérebro? Para você seria blasfêmia se eu dissesse que o centro de comando do nosso corpo está localizado no abdômen?

Esse órgão é tão importante que chega a ser chamado de segundo cérebro. Sabe de quem estou falando? Isso mesmo, a majestade… o Senhor Intestino!!!

O sistema gastrointestinal é o mais suscetível às emoções. Sabe aquele frio na barriga ao encarar o desconhecido? E as borboletas no estômago quando você se depara com a sua paixão? Sustos lhe dão enjoo? Essas sensações existem por um motivo, a enorme quantidade de transmissores presente no intestino estabelece uma ligação direta com o cérebro. Isso explica porque uma crise de nervosismo pode segurá-lo no banheiro.

O intestino desempenha um papel importantíssimo em nossa saúde. Seu controle vai além dos limites gastrointestinais, atingindo não só a saúde física como também a mental. A relação do intestino com o desempenho cerebral e imunológico é direta, podendo desencadear doenças metabólicas (alergias, obesidade e diabetes) e neurológicas (como a esclerose múltipla e o mal de Parkinson).

O intestino possui cerca de 100 milhões de neurônios! Além disso, neurotransmissores e hormônios associados ao encéfalo são produzidos no intestino. 98% da serotonina (corresponsável pela memória e pelo humor) vem do intestino.

Se suas funções intestinais não vão bem, você logo sente o impacto no bem-estar físico, mental e emocional. A recíproca também é verdadeira: quando o balanço químico cerebral está desregulado, as vísceras sofrem a consequência.

Na prática, a relação comprova que problemas intestinais podem ser causados por ansiedade, estresse ou depressão. 50% dos distúrbios intestinais têm causa emocional. No caso dos portadores da Síndrome do Intestino Irritável, 90% apresentam problemas emocionais.

Uma pesquisa da Universidade de Boston, mostrou que os portadores da Síndrome do Intestino Irritável tinham 40% mais chances de manifestar depressão e, quando medicadas para tratar a enfermidade física, constataram melhora no estado mental.

O intestino contém mais de 70% das células de defesa do corpo, 500 espécies de bactérias e 100 trilhões de micro-organismos. Esse exército compõe a chamada microbiota intestinal (conhecida como flora intestinal), que auxilia no desenvolvimento de tecidos, na extração de nutrientes dos alimentos e na produção de células de defesa. No entanto, ela não evoluiu a ponto de resistir aos maus hábitos à mesa. Alimentos processados podem alterar a microbiota, abrindo espaço para bactérias nocivas se instalarem e causarem estrago.

Antibióticos, estresse e álcool também matam as bactérias do bem. Prevenir o estrago não é tarefa do outro mundo. Troque a “fast food” por fibras (elas alimentam as bactérias benéficas ao organismo), converse com seu nutricionista sobre alimentos probióticos, pratique exercícios (que fazem o intestino trabalhar de forma mais eficiente) e invista em atividades que reduzem o estresse e promovem equilíbrio.

A ciência comprova o que você instintivamente já sabia: é preciso estar com a cabeça no lugar para preservar suas vísceras.

(Fonte: Endócrino News)

A comunicação cérebro-cérebro

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Pesquisas comprovam que a comunicação direta entre cérebros humanos é possível. Duas pessoas podem se comunicar, repassando seus pensamentos uma para outra, através de grandes distâncias físicas, como mostram os mais recentes estudos da neurociência.

O pesquisador e professor da Escola de Medicina de Harvard (EUA), Alvaro Pascual-Leone, junto com Giulio Ruffini e Carles Grau, realizaram um experimento onde, sem utilizar a fala nem a escrita, estabeleceu-se a comunicação de cérebro para cérebro entre sujeitos localizados a cerca de 8.000 Km de distância um do outro.

Os cientistas lideraram uma equipe de pesquisadores da Starlab Barcelona, na Espanha; enquanto Michel Berg  liderou a equipe da Axilium Robotics em Estrasburgo, na França. Em um equivalente neurocientífico de mensagens instantâneas, conseguiram transmitir com sucesso as palavras “hola” e “ciao”, de um local da Índia para um local na França.

A transmissão foi mediada por um computador, usando-se um eletroencefalograma (EEG) ligado a internet e estimulação magnética transcraniana (EMTc), assistida roboticamente e guiada por imagem.

Já eram conhecidos estudos baseados na interação cérebro-máquina, através das pesquisas de Miguel Nicolelis e John Chaplin. Eles construíram o que chamaram de interface cérebro-máquina, demonstrando que animais ou humanos poderiam mover dispositivos, não importando a distância que estes estivessem de seus corpos, apenas imaginando o que desejavam fazer. O resultado foi demonstrado por Juliano Pinto que, estando paraplégico, entregou o ponta pé inicial na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, usando um exoesqueleto.

Os estudos avançam e pesquisadores da Universidade de Washington estão explorando o que chamam de “tutoria cerebral”, ou seja, a possibilidade de uma pessoa saudável transferir sinais diretamente de seu cérebro para pessoas deficientes ou impactadas por fatores externos, como um AVC (acidente vascular cerebral).

 Os cientistas trabalham também na transmissão de estados cerebrais, como o envio de sinais de um aluno focado para outro com déficit de atenção e hiperatividade (TDA/H), bem como na possibilidade de um professor transferir conhecimento para um aluno por esse mecanismo cérebro-cérebro.

 O assunto é fascinante e as possibilidades são infinitas. A conexão mental e energética  é um fenômeno real, que finalmente a ciência vem conseguindo comprovar. O cérebro humano,  como disse certa vez Nicolelis, é um universo incrível que temos entre nossas orelhas, só  comparável ao Universo que temos sobre a nossa cabeça.

(Luciane Ferreira)

Percebendo a realidade: escolha o lado bom da vida

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Fernando Pessoa, em O Livro do Desassossego, diz que “a vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos”. 

O filósofo grego Epiteto disse, há mais de 2.000 anos, que “as pessoas ficam perturbadas, não pelas coisas que acontecem com elas, mas pelos princípios e opiniões que elas formam sobre aquelas coisas. Quando estamos inviabilizados, perturbados ou tristes, não devemos responsabilizar os outros, mas a nós mesmos; isto é, aos nossos próprios princípios e opiniões”.

A ciência comportamental moderna concorda! O psicólogo americano Albert Ellis, famoso por desenvolver a terapia de comportamento racional emotiva, explicou que o modo “como” as pessoas reagem aos eventos é determinado em grande parte pela sua visão dos acontecimentos e não pelos próprios acontecimentos.

Mude sua percepção, crença ou opinião sobre os fatos. Podemos escolher o lado bom da vida. Podemos focar nossa atenção nas qualidades, nas possibilidades, na esperança, no amor.

É possível perceber, a todo momento, o lado bom das coisas e das pessoas, porque sempre tem. Boas crenças e bons sentimentos, geram mudanças de atitudes, que afetam profundamente nossa saúde e bem estar físico, mental e social.

A busca pelo autoconhecimento, pelo desenvolvimento e evolução pessoal é fundamental na construção de uma visão positiva da vida. Afinal, nós costumamos enxergar o mundo não como ele é, mas sim como nós somos.

(Luciane Ferreira)

Stress e doenças do fígado

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Sofrer de stress, ansiedade ou depressão aumenta o risco de morte por doenças no fígado. É o que mostra um estudo da Universidade de Edimburgo, na Escócia. É a primeira vez que uma pesquisa científica estabelece relações entre altos níveis de stress emocional e mortes causadas por problemas hepáticos.

A pesquisa avaliou 165.000 pessoas, que responderam a questionários que avaliavam os níveis de stress. Os voluntários foram acompanhados por um período de dez anos. Após esse período, os pesquisadores avaliaram quais problemas de saúde foram enfrentados durante o estudo e as causas de morte. Os resultados mostraram que aqueles que apresentaram um maior número de sintomas de stress no início tinham maior risco de morrer por doenças hepáticas, em comparação com quem apresentava menos sinais.

 Ainda não estão totalmente claros, quais foram os mecanismos biológicos que determinaram os resultados. As pesquisas continuam. Já se sabe, por pesquisas anteriores, que pessoas expostas ao stress prolongado têm maior probabilidade de sofrer de doenças no coração. Os fatores de risco cardiovascular (obesidade e hipertensão)  têm sido relacionados a  esteatose hepática não alcoólica, doença relativamente comum. A enfermidade é causada pelo acúmulo de gordura no fígado e não possui sintomas. O diagnóstico geralmente é feito a partir de ultrassom na região abdominal.

Tom Russ, autor principal do estudo, afirma que essa pesquisa fornece evidências dos efeitos prejudiciais que o stress pode ter no bem estar físico. “Embora não seja possível confirmar a relação direta entre causa e efeito, temos fortes evidências de que é importante fazer uma análise mais aprofundada sobre o tema”, conclui o pesquisador.

Na prática, conhecemos o efeito devastador do stress. Resta-nos buscar o equilíbrio mental, físico e social, para nos pouparmos das trágicas consequências associadas a este mal.

(Luciane Ferreira)